A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), controlada pela família Moreira Salles e principal produtora mundial de nióbio, tem atuado na Justiça mineira para proteger a integridade de suas instalações em Araxá, no Alto Paranaíba, diante de pedidos de acesso da mineradora australiana St. George Mining. A área em questão, de 38 hectares de propriedade da CBMM, é objeto de direitos minerários detidos pela empresa estrangeira.
Desde setembro de 2024, a St. George busca autorização para ingressar no terreno e realizar pesquisas de nióbio e terras raras. A CBMM tem sustentado que as atividades propostas, principalmente aquelas envolvendo perfurações, podem comprometer a estabilidade de uma barragem de rejeitos instalada nas proximidades, estrutura monitorada rigorosamente por órgãos ambientais e pelo Ministério Público. A mineradora brasileira enfatiza o histórico de responsabilidade na gestão de riscos ambientais na região.
A CBMM responde por cerca de 80% da produção mundial de nióbio, mineral estratégico para indústrias de alta tecnologia, como aeroespacial, automotiva e de defesa. Sua operação em Araxá é realizada em parceria com a Codemig, estatal mineira. O contrato renovado em outubro de 2025 garante à Codemig 25% do lucro líquido da exploração por 30 anos, prorrogáveis por mais 15, o que pode estender a parceria até 2070 e gera recursos significativos para o Estado de Minas Gerais.
Em contraste, a St. George é uma empresa de exploração em fase pré-operacional que adquiriu o projeto Araxá em fevereiro de 2025. A australiana, com apoio de investidores como Gina Rinehart (via Hancock Prospecting), reportou recentemente upgrades em seus recursos de nióbio e terras raras, mas ainda busca avançar em estudos de viabilidade e licenças em uma área adjacente ao complexo consolidado da CBMM.
O processo judicial, iniciado em 2025, registrou idas e vindas. Decisões iniciais favoreceram o acesso, mas foram revistas após a CBMM apresentar argumentos técnicos sobre riscos à barragem e à estabilidade da área. Em março de 2026, a Justiça suspendeu temporariamente as obrigações impostas à CBMM em uma ação complementar, permitindo nova análise técnica. As empresas divergem ainda sobre o perito judicial e os custos associados à avaliação de segurança.
A CBMM argumenta que a Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou por três vezes a exclusão da área da barragem dos planos da St. George, e que órgãos ambientais já indicaram incompatibilidade com novas atividades de mineração no local. A empresa reforça seu compromisso com padrões elevados de segurança, transparência e preservação ambiental em uma região sensível.
A disputa ilustra os desafios regulatórios e técnicos de sobreposições minerárias em áreas de operação madura. De um lado, a CBMM destaca sua contribuição consolidada para a economia brasileira, com produção anual na casa das 150 mil toneladas de nióbio e forte integração com o desenvolvimento regional de Minas Gerais. De outro, a St. George defende o exercício de seus direitos para viabilizar um projeto de menor escala, com meta de produção a partir de 2027.
Especialistas do setor mineiro costumam ressaltar a importância de equilibrar o estímulo a novos investimentos com a proteção de operações existentes que já demonstram alto padrão técnico, geração de empregos e retorno fiscal expressivo ao Estado. A CBMM mantém que qualquer atividade na área deve priorizar a segurança das estruturas existentes e a compatibilidade ambiental comprovada.